Eficiência na recarga de veículos elétricos: estudo com participação da NEO Automotive é apresentado no SIMEA 2026

recarga de veículos elétricos

Quando um veículo elétrico é conectado a um carregador, nem toda a energia retirada da rede elétrica chega efetivamente à bateria.

Parte dessa energia pode ser perdida ao longo do processo de recarga, seja na infraestrutura externa, no cabeamento ou durante a conversão de corrente alternada em corrente contínua realizada pelo carregador de bordo do veículo.

Em um automóvel particular, compreender essas perdas já é relevante. Em uma frota elétrica logística, com veículos sendo recarregados repetidamente e percorrendo grandes distâncias, pequenas diferenças de eficiência podem ganhar outra dimensão e influenciar o consumo de energia e o custo operacional.

Foi justamente esse problema que motivou o trabalho científico “Análise de Eficiência e Perdas no Processo de Recarga de Vans Elétricas Logísticas”, desenvolvido por Robson Ferreira da Cruz, Nelson Fernando da Silva e Rêmulo Lugão de Araújo.

O estudo contou com a participação do Prof. Nelson Fernando, CEO e responsável técnico pela formação da NEO Automotive, e foi apresentado no XXXIII SIMEA 2026, Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, realizado nos dias 26 e 27 de agosto, em São Paulo.

Mais do que uma participação em um evento do setor, o trabalho reforça uma característica importante da atuação da NEO Automotive: aproximar pesquisa, conhecimento técnico, diagnóstico automotivo e capacitação profissional dentro de um mercado que evolui rapidamente.

O que o estudo investigou?

O objetivo da pesquisa foi quantificar as perdas energéticas existentes durante a recarga de veículos elétricos utilizados em operações logísticas.

Isso exige olhar para algo que normalmente não aparece para o motorista.

Imagine que determinada quantidade de energia seja retirada da rede durante uma recarga. A quantidade efetivamente armazenada na bateria pode ser menor.

Entre esses dois pontos existe uma cadeia formada por diferentes equipamentos e processos.

O estudo realizou medições simultâneas de potência em quatro pontos do sistema:

  • antes da estação de recarga;
  • depois da estação de recarga, ou EVSE;
  • na entrada do carregador de bordo, conhecido como OBC (On-Board Charger);
  • na entrada do pacote de baterias.

Essa metodologia permite observar onde a energia está sendo utilizada e onde surgem perdas durante seu caminho até a bateria.

É uma diferença importante.

Em vez de avaliar apenas quanto o carregador fornece, a pesquisa procura entender quanto dessa energia efetivamente percorre cada etapa do sistema e chega ao armazenamento do veículo.

Por que existe perda de energia durante a recarga de um carro elétrico?

A recarga não é uma simples transferência direta de eletricidade da tomada para a bateria.

Nos processos de recarga em corrente alternada, a energia passa por diferentes componentes antes de ser armazenada.

Entre eles está o OBC, carregador embarcado responsável pela conversão necessária para que a energia possa ser utilizada pelo sistema de bateria.

Cabos, conexões, eletrônica de potência e processos de conversão também fazem parte dessa cadeia.

E nenhuma conversão energética real é perfeitamente eficiente.

Uma parcela pode ser dissipada, inclusive na forma de calor.

É justamente por isso que olhar apenas para a capacidade nominal da bateria ou para a potência anunciada pelo carregador não conta toda a história.

Potência de recarga e eficiência de recarga são conceitos diferentes.

Um carregador mais potente pode permitir uma recarga mais rápida quando veículo e infraestrutura suportam essa potência. Isso não significa automaticamente que todo o processo terá maior eficiência energética.

Quais veículos participaram dos ensaios?

O trabalho utilizou veículos elétricos reais, aproximando a análise das condições encontradas em aplicações comerciais.

Entre os modelos avaliados estão Citroën ë-Jumpy, Renault Kangoo Z.E. 33 e NETA V/AYA.

A publicação científica descreve uma metodologia destinada a comparar o comportamento energético da cadeia de recarga e também avaliar o impacto da substituição da estação utilizada no experimento.

Essa abordagem permite separar diferentes fontes de perda.

Em outras palavras, quando aparece uma diferença de eficiência, o objetivo é conseguir investigar se ela está associada à infraestrutura externa, cabeamento, conversão realizada pelo OBC ou a outras etapas até a bateria.

É justamente esse tipo de medição que transforma uma percepção sobre consumo em informação técnica que pode ser analisada.

Nem toda energia consumida pela recarga chega à bateria

Esse talvez seja o conceito mais interessante do estudo para quem não trabalha diretamente com engenharia elétrica.

Suponha, apenas como exemplo didático, que uma estação registre determinada quantidade de energia utilizada durante uma sessão de recarga.

Isso não significa que exatamente a mesma quantidade tenha sido armazenada na bateria.

Existem perdas no caminho.

Por isso, análises de eficiência precisam considerar dois lados da equação:

energia consumida na origem → energia efetivamente armazenada no veículo.

Quanto maior a diferença entre esses valores, maior é a perda energética do processo.

O próprio estudo foi estruturado para mapear esse fluxo e identificar gargalos de dissipação térmica, fornecendo dados que possam contribuir para melhorar o dimensionamento da infraestrutura de recarga.

Por que alguns veículos podem apresentar eficiências diferentes?

Outro ponto importante é que veículos elétricos diferentes não necessariamente apresentam o mesmo comportamento durante a recarga.

A arquitetura eletrônica muda.

O carregador embarcado muda.

A bateria muda.

A estratégia de gerenciamento térmico pode mudar.

As condições de operação também influenciam o sistema.

Por isso, comparar somente a potência nominal de diferentes carregadores ou veículos pode produzir uma visão incompleta.

O trabalho apresentado no SIMEA parte justamente da necessidade de analisar o sistema de recarga como uma cadeia energética completa.

Essa visão se torna especialmente relevante conforme aumenta a diversidade de modelos eletrificados no mercado brasileiro.

Como já mostramos no conteúdo sobre o crescimento dos veículos eletrificados no Brasil, o país está incorporando rapidamente novas arquiteturas e tecnologias de eletrificação.

Para oficinas, engenheiros, gestores de frota e profissionais do setor, compreender essas diferenças passa a ter valor cada vez maior.

Por que alguns pontos percentuais importam tanto para uma frota?

Em um veículo utilizado ocasionalmente, uma diferença relativamente pequena de eficiência pode parecer pouco relevante.

Em uma operação logística, a matemática muda.

Imagine dezenas ou centenas de vans sendo carregadas diariamente ao longo de meses e anos.

A energia perdida em cada processo passa a se repetir continuamente.

É por isso que o trabalho relaciona eficiência de recarga ao TCO, Total Cost of Ownership, ou custo total de propriedade.

O TCO procura observar o custo do veículo durante sua utilização, e não somente seu preço de aquisição.

Em uma frota elétrica, o consumo de energia faz parte dessa conta.

Se a empresa conhece melhor a eficiência real do conjunto formado por infraestrutura + carregador + veículo, consegue produzir estimativas mais próximas das condições efetivamente encontradas na operação.

E isso pode ajudar em decisões sobre dimensionamento da infraestrutura e custos energéticos.

O carregador também faz parte da equação

Existe ainda outro aspecto bastante interessante na metodologia.

O plano experimental prevê a avaliação de uma estação de recarga e, posteriormente, sua substituição por outro modelo, repetindo o protocolo de medição.

A ideia é identificar o impacto do equipamento externo sobre a eficiência global.

Isso mostra por que a discussão sobre eletromobilidade não termina no automóvel.

Quando uma empresa eletrifica uma frota, precisa pensar também em EVSE, instalação elétrica, potência disponível, operação dos veículos, tempo de recarga e eficiência energética.

O veículo e a infraestrutura passam a funcionar como partes de um mesmo ecossistema.

O que é o SIMEA e por que essa apresentação é relevante?

O SIMEA, Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, é promovido pela AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva.

A 33ª edição aconteceu em 26 e 27 de agosto de 2026, no Novotel Center Norte, em São Paulo, sob o tema “Brasil em movimento: engenharia e tecnologia a serviço da sustentabilidade”.

A programação reuniu representantes da indústria, governo, engenharia e academia para discutir temas ligados à transformação da mobilidade.

E existe um dado que ajuda a dimensionar o espaço técnico do evento.

O SIMEA 2026 recebeu 120 trabalhos inscritos e teve 60 trabalhos apresentados nas sessões técnicas.

Entre eles esteve a pesquisa com participação de Nelson Fernando sobre eficiência na recarga de veículos elétricos.

O artigo passou a integrar os Anais do XXXIII Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, publicados pela Blucher Engineering Proceedings, nas páginas 197 a 203. (Blucher Proceedings)

O trabalho possui ainda identificação científica própria:

DOI: 10.5151/2357-7592-PAP29

Isso permite que o estudo seja localizado, citado e utilizado como referência em outros trabalhos acadêmicos e técnicos.

Pesquisa aplicada também faz parte da mobilidade elétrica

A expansão dos veículos elétricos cria muitas perguntas que não podem ser respondidas apenas com especificações de fabricantes.

Como determinada tecnologia se comporta em condições reais?

Onde ocorrem as perdas?

Quanto da energia fornecida chega efetivamente à bateria?

Como a infraestrutura interfere no resultado?

Que impacto isso pode produzir no custo de uma frota?

Responder perguntas desse tipo exige medição, metodologia, comparação e análise técnica.

É uma camada da eletromobilidade que muitas vezes fica distante do consumidor, mas é fundamental para a evolução do setor.

E também mostra por que a formação de profissionais para trabalhar com veículos eletrificados precisa acompanhar a sofisticação dessas tecnologias.

Da pesquisa para a oficina: conhecimento técnico precisa acompanhar os veículos

Existe uma conexão direta entre pesquisa aplicada e capacitação.

Um profissional que trabalha com veículos híbridos e elétricos precisa entender que está diante de sistemas nos quais energia, eletrônica, software, bateria e gerenciamento térmico interagem o tempo todo.

Isso muda também o diagnóstico.

Uma falha relacionada à recarga, por exemplo, pode exigir conhecimento sobre EVSE, OBC, bateria de alta tensão, BMS, comunicação eletrônica e arquitetura elétrica do veículo.

É por isso que a NEO Automotive trabalha a formação em veículos híbridos e elétricos em diferentes níveis.

O Master VHE é a primeira etapa, voltada a fundamentos, segurança, diagnóstico e prática em veículos eletrificados.

O Especialista VHE aprofunda a formação e avança sobre diagnósticos mais complexos.

Já o Grand Master VHE reúne as duas etapas em cinco dias intensivos, permitindo realizar a formação completa em uma única imersão.

Essa ligação entre pesquisa, engenharia e prática é especialmente importante em um setor no qual novas arquiteturas chegam ao mercado continuamente.

NEO Automotive: conhecimento que também nasce da pesquisa

A participação do Prof. Nelson Fernando na pesquisa apresentada no SIMEA 2026 acrescenta uma dimensão importante ao trabalho desenvolvido pela NEO.

A empresa não está apenas acompanhando a eletrificação para ensinar técnicas já consolidadas.

Existe participação na produção e discussão de conhecimento técnico sobre problemas reais da mobilidade elétrica.

Nesse caso específico, o objeto de pesquisa foi algo extremamente concreto: o caminho percorrido pela energia durante a recarga e as perdas existentes antes que ela chegue à bateria de um veículo elétrico.

Esse conhecimento dialoga diretamente com engenharia, infraestrutura, gestão de frotas e capacitação profissional.

E é também uma demonstração prática de algo que a NEO procura levar para seus treinamentos: em veículos híbridos e elétricos, diagnosticar bem começa por compreender profundamente como o sistema funciona.

O artigo científico completo está disponível em acesso aberto nos anais do SIMEA 2026: Leia “Análise de Eficiência e Perdas no Processo de Recarga de Vans Elétricas Logísticas” na Blucher Proceedings

O mercado de híbridos e elétricos já mudou.

A pergunta é: você está preparado para trabalhar com essa nova geração de veículos?

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